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domingo, 14 de novembro de 2010

Sustentabilidade na hora de construir

Materiais renováveis e que agridem menos o meio ambiente tornam obra sustentável.

Canteiro de Obra Sustentável - Foto Cria Arquitetura

A maioria das pessoas atrela a ideia de construção a barulho, muita poeira, materiais espalhados pelos ambientes e outras cenas parecidas.
A obra ou reforma costuma ser encarada como um campo de batalha, de tão complexa. Esse panorama, porém, pode ser diferente. É só inserir no projeto um toque de sustentabilidade.

Mestre em engenharia de construção civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Viviane Miranda Araújo Fiorani explica que uma construção sustentável é aquela que busca utilizar recursos menos agressivos ao meio ambiente.

Para isso, evita desperdício, trata seus resíduos de forma adequada, procura incomodar menos os vizinhos e seleciona os fornecedores com cuidado. “É necessário um projeto que abranja todas as fases da construção, desde sua concepção”, explica.

Telhas Ecológicas Recicláveis

O mercado oferece vários “ecoprodutos”, como são conhecidos os artigos sustentáveis. Eles podem substituir os usados tradicionalmente em obras e não têm impacto negativo para as próximas gerações.

Tijolos ecológicos feitos em cimento prensado sem queima, placas e telhas ecologicamente corretas e 100% recicláveis – que utilizam resíduo da fabricação de tubo de creme dental –, madeira de demolição ou com certificação de origem, cisternas – que armazenam a água da chuva – e telhados ecológicos estão mudando o conceito das obras de arquitetura.

Ações Sustentáveis:
“Planejar uma obra sustentável é levar em conta e valorizar questões como iluminação e ventilação naturais e optar por soluções que priorizem a economia de água e energia. Além disso, é proporcionar conforto termo-acústico, investir em tecidos e fibras naturais e incentivar o comércio solidário e o consumo consciente”, explica, por sua vez, a arquiteta Juliana Boer, da Cria Arquitetura Sustentável.

Madeira Reutilizada - Cria Arquitetura

Você também tem a possibilidade de reutilizar materiais na hora de construir. De acordo com a arquiteta Karla Cunha, especialista em projetos sustentáveis, mesmo uma reforma é capaz de produzir uma grande quantidade de resíduos ou entulhos, que, na maioria das vezes, é descartada de forma inadequada nos lixões.

“As escolhas fazem toda a diferença em um projeto que propõe ser sustentável. Cada ação individual deve ser pensada. Por isso, é importante rever os conceitos, procurar alternativas e garantir o futuro”, finaliza.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Telhado branco reduz a temperatura do planeta



Matéria sugerida por uma leitora de nosso blog.



Aquecimento global, derretimento das calotas polares, efeito estufa, Tratado de Kyoto. Nos últimos anos, esses assuntos tomaram conta dos noticiários, das conversas com o vizinho, das discussões na roda de boteco ou no bate-papo com o desconhecido na fila do banco. Em qualquer lugar, a qualquer hora, existe gente preocupada com o futuro do planeta. Com o perdão do clichê, o assunto "ecologicamente correto" dos últimos dias é a campanha do telhado branco.

Você pintaria o telhado da sua casa de banco para reduzir a temperatura do planeta?

Um estudo norte-americano feito pelo laboratório Lawrence Berkeley National concluiu que cada 100 m² das superfícies pintadas em cores claras podem compensar 10 toneladas na emissão de gás carbônico (CO²) na atmosfera. Mas esta realidade é eficaz apenas em países que usam usinas termelétricas para o fornecimento de energia.

Nos países que consomem energia limpa, como o Brasil, a aplicação dos telhados ecológicos está ligada diretamente à redução do gasto com energia e à queda da temperatura ambiente. Segundo o estudo, o sistema é simples, afinal a cor branca reflete mais luz e absorve menos calor solar. Sendo assim, naturalmente, com os ambientes mais frescos, as pessoas podem reduzir o uso do ar condicionado e do ventilador. O laboratório ainda ressalta que 60% das superfícies em perímetro urbano são formados por tetos, calçadas e pistas - na maioria em cores escuras, que absorvem calor.

O uso dos telhados ecologicamente sustentáveis, chamados de 'cool roofs', começou a ser incentivado pela ONG Green Building Council Brasil (GBC), com a campanha One Degree Less (Um Grau a Menos). O gerente técnico da GBC Brasil, Marcos Casado, afirma que esta aplicação pode reduzir as ilhas de calor, ou seja, locais que, por possuirem uma grande área pavimentada, ficam mais quentes que as áreas arborizadas.

"Nos meios urbanos, em média, cerca de 60% das superfícies são cobertas por tetos ou pavimentos, que fazem com que a cidade esquente muito. A construção civil tem parte da culpa neste problema. Todo o estudo aponta que, nos locais em que há o telhado branco ou verde, pode-se conseguir a redução de até 90% do fluxo de calor em ambientes internos", comenta Marcos.

Para o especialista em ecologia Ary Gomes da Silva, esta forma pode ser usada no Brasil. "Os telhados ecológicos são estruturas da construção civil que suportam o solo e o plantio de gramíneas, que criam um conforto térmico nas residências. Em qualquer país com a temperatura do nosso, ter um conforto térmico adquirido melhora a qualidade de vida", afirma.

O naturalista Marco Ortiz diz que estas pequenas ações dos cidadãos não devem surtir efeito. "Campanhas publicitárias não devem prevalecer frente ao desmatamento da Amazônia e da produção industrial desenfreada. É bom lembrar, por exemplo, que a pecuária de corte é responsável por parte do aquecimento global. Haveria impacto se pensássemos na redução da produção, no incentivo ao uso da bicicleta", defende Ortiz.

A GCB Brasil alerta que a campanha 'Um grau a menos' é uma pequena atitude que quer chamar atenção para um problema maior: o descaso do homem com o planeta.

Fonte: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/03/68759-telhado+branco+reduz+a+temperatura+do+planeta.html

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Engenheiro inventa umidificador feito de sucata para ambientes pequenos

Não é só o Distrito Federal que sofre com o tempo seco. O problema se estende aos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins. Nesses tempos de recordes de baixa umidade do ar — em agosto, chegou a 7% em cidades do interior paulista —, os umidificadores são cada vez mais usados para aliviar o sufoco da secura. 


Enquanto muita gente corre para as farmácias e lojas de eletrodoméstico para comprar o aparelho, o engenheiro eletricista de Santa Rita do Sapucaí (MG) Cláudio Lasso preferiu inovar — e economizar: criou um umidificador feito de sucata e que não necessita de energia elétrica. “Um produto baseado na demanda social e ambiental”, define.




Diferentemente dos estudos científicos, que demoram anos para serem concluídos, os inventos surgem da necessidade de resolver rapidamente algum problema. No caso de Lasso, era o sofrimento da sobrinha de 9 meses, que estava sofrendo com o tempo seco. 


Em casa, ele colocou em prática princípios da engenharia aliados à preocupação com o meio ambiente — além de não gastar energia elétrica, o equipamento é feito apenas de objetos que costumam ir para o lixo. “Optei por materiais que todos temos em casa, para que qualquer pessoa possa fazer seu umidificador em poucos minutos”, diz o inventor.


O material utilizado é composto por uma garrafa, um pote de sorvete, um CD velho e um pano absorvente, do tipo Perfex. A forma de utilização do pano, segundo Lasso, é o grande diferencial do seu invento, garantindo mais eficiência. 


Apenas a ponta dele é colocada na água, fazendo com que ela demore mais para evaporar. “Uma toalha molhada na cabeceira da cama leva cerca de 20 minutos para secar. Já o umidificador de ar absorve 1cm de água por dia, dependendo da umidade relativa do ar e do tamanho da vasilha”, compara o inventor.

O professor do departamento de Engenharia da Construção Civil da Escola Politécnica da USP Vanderley Moacyr John explica que qualquer tecido de algodão (quanto mais grosseiro melhor) pendurado com a ponta de baixo colocada dentro d’água obtém o mesmo resultado. “A água sobe pelo tecido por capilaridade, o que aumenta a área de contato com o ar, aumentando a quantidade de água evaporada”, explica. “Eu mesmo já improvisei, em um hotel de Brasília, uma toalha pendurada com a parte de baixo encostando na água da pia”, conta.

Boa solução
A invenção de Lasso é elogiada por outros especialistas. “A fabricação é muito simples e barata, colaborando, inclusive, para a redução de descarte de material usado”, opina Mauro Severino, professor de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB). 



Saulo Rodrigues, coordenador de pós-graduação em desenvolvimento sustentável da UnB, acha a ideia muito interessante, principalmente porque elimina o uso da energia elétrica. “Precisamos de soluções como essa para reduzir os problemas ecológicos. Principalmente porque cerca de 70% desses problemas é de responsabilidade do consumo de energia de combustíveis fósseis, que ainda passa pela energia elétrica”, avalia Rodrigues.

Para melhorar sua eficiência, o engenheiro mineiro sugere que o umidificador caseiro seja colocado em frente a um ventilador, que servirá para espalhar a umidade. 



Além disso, o inventor explica que, por ser pequeno — cerca de 30cm de altura e 15cm de comprimento —, o umidificador não ocupa muito espaço, como bacias de água. “Eu mesmo uso na mesa em que trabalho”, exemplifica Lasso. Com isso, ele pode ser utilizado em diversos cômodos, e a pessoa pode construir vários para distribuí-los pela casa.


Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/14/cienciaesaude,i=212781/ENGENHEIRO+INVENTA+UMIDIFICADOR+FEITO+DE+SUCATA+PARA+AMBIENTES+PEQUENOS.shtml

sábado, 23 de outubro de 2010

Agora você pode morar de uma forma ecologicamente correta

A sustentabilidade nn é um tema que cada vez mais faz parte do setor produtivo e da vida das pessoas. O aumento da população mundial, a necessidade de produzir mais alimentos, a escassez dos recursos naturais, a degradação do meio ambiente, tudo isso reflete direta ou indiretamente na vida das pessoas. 

E não há como não se envolver ou ficar completamente omisso. Seja por engajamento, seja pela necessidade de reduzir despesas para fazer o dinheiro esticar no final do mês, seja pela decisão de repensar os valores e atitudes. O certo é que cada vez mais as pessoas estão buscando, de alguma maneira, uma forma mais socialmente responsável de agir.

Como qualquer atividade humana gera impacto, cada um tem que procurar uma maneira de, cada vez mais, ampliar a sustentabilidade de seus atos, seja no trabalho, seja em casa, seja na escola, seja na vida em sociedade. É só estar atento ao que cada um faz para mudar os hábitos e ampliar, a cada dia, o seu grau de sustentabilidade.

Quer um exemplo? Pode ser em casa, logo pela manhã, na escovação dos dentes, evitando deixar a torneira aberta sem necessidade, ou reduzindo o tempo do banho. Ou deixando apagando as lâmpadas quando não se está no local, ou desligando os equipamentos que não estão em uso.

Na construção, ou na reforma da casa, o local onde as pessoas passam grande parte de suas vidas, são muitas as oportunidades para a adoção de medidas que podem ser chamadas de amigas do meio ambiente. Uma das dicas da arquiteta Rita Rocio Tristão é utilizar somente madeira certificada. "Não é difícil encontrar madeira certificada e o preço é adequado", explica.

Para uma construção sustentável, o projeto é fundamental, salienta. Um projeto sustentável deve ter ventilação adequada, aproveitamento da iluminação natural, conforto térmico, tintas à base de água, louças e metais que contribuam para menor gasto de água, beirais amplos que reduzem a insolação, dentre outros.

Na construção de uma residência, por exemplo, o profissional deve observar a posição do sol, a direção dos ventos. Dados como esses, que podem parecer sem importância, fazem a diferença na sustentabilidade do projeto. "A base de uma boa construção é um bom projeto", destaca a arquiteta.

Sustentabilidade, aliás, é o tema central da edição deste ano da Casa Cor. No local, todos os ambientes foram criados com base na sustentabilidade. Em várias criações destacam-se as madeiras certificadas e as reutilizadas. Em um dos ambientes externos chama a atenção o telhado de grama, que reduz em até 6º a temperatura.

É um conceito relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas.

Atitudes sustentáveis

Racionalize a água
Tome banhos mais rápidos: 15 minutos consomem 243 litros de água;


Feche a torneira: 5 minutos correspondem a 80 litros de água;
O vaso sanitário é o maior vilão, representando cerca de 50% do consumo de água de uma residência. São 10 a 14 litros em apenas 6 segundos de acionamento.

Cuide do lixo
Separe o lixo orgânico do restante. O lixo orgânico pode gerar adubo ou produzir energia e o resto poderá ser reciclado, reduzindo a necessidade de utilização de recursos naturais.

Produza adubo
Pegue duas caixas de 0,50 x 0,80 (do tamanho de uma caixa de carnes);
Em uma das caixas coloque terra, que será utilizada para cobrir os alimentos e evitar mau-cheiro;

A outra caixa, separe ao meio com uma divisória de maneira tal que possibilite a passagem de minhocas de um lado para o outro;

Arranje algumas minhocas e coloque-as em um dos lados da caixa com um pouco de terra;

Coloque o lixo orgânico da sua cozinha (cascas de fruta e restos de comida) no lado da caixa onde estão as minhocas e cubra com uma fina camada de terra;

Repita até que o lado da caixa esteja cheia. Então faça o mesmo com o outro lado;
Quando o segundo lado da caixa estiver cheio, o primeiro já conterá humus, que servirá para adubar suas plantas;

Se você mora em apartamento, faça um acordo com o síndico para que ele libere um pequeno espaço no terreno para isso. Talvez você estimule os seus vizinhos a fazerem o mesmo, e terão adubo para o condomínio.

Racionalize energia
Troque as lâmpadas incandescentes por fluorescentes. São um pouco mais caras, mas têm durabilidade maior e consomem 60% menos energia;

Desligue a luz dos cômodos e dos aparelhos que não estão sendo usados;

Desligue os elevadores e as luzes comuns do condomínio que não estiverem sendo usadas;

Ao comprar um eletrodoméstico, procure aqueles que têm o selo do Procel que certifica o baixo consumo de energia;

Reutilize
Opte por produtos duráveis. Por mais que sejam práticos, os produtos descartáveis são danosos ao meio ambiente e geram um lixo desnecessário. Ao adquirir material de escritório, por exemplo, escolha os que permitem recargas: cartuchos de impressão, pilhas e baterias recarregáveis.

Resista
Abra mão de sacos, papéis, caixas e envelopes como forma de transportar compras. Esse "lixo do futuro" polui o lençol freático, entope bueiros e exige muita matéria-prima para a fabricação. Adote as ecobags, mas resista àquelas não produzidas com material reciclável.

Seja natural
Os produtos orgânicos devem ser privilegiados na compra porque o modelo tradicional de agricultura de larga escala é insustentável para o meio ambiente, consumidores e produtores. Vários estudos têm mostrado que os agricultores orgânicos que seguem um enfoque agroecológico conseguem resultados satisfatórios em vários aspectos ligados à sustentabilidade.

Novidades do primeiro prédio sustentável
O Esmeralda Residence é o primeiro prédio sustentável do Estado.As ações começaram desde a demolição da casa, com a triagem dos resíduos e a destinação do entulho. Na execução da obra está prevista a coleta seletiva dos resíduos gerados e o controle do seu destino final. A madeira, os granitos e cerâmicas serão adquiridos de fornecedores licenciados. 



Na construção será utilizada a água captada das chuvas. As águas do chuveiro e lavatório serão reutilizadas em descargas dos vasos sanitários da obra. A energia solar, totalmente limpa, será adotada para os sistema de aquecimento. A água dos lavatórios, pias, chuveiros e máquinas de lavar roupas serão coletadas separadamente e conduzidas para uma estação de tratamento e depois reutilizadas nas descargas sanitárias. O reuso da água vai gerar economia média de 30%.

Casa pioneira em novo loteamento de Manguinhos
No dia 14 do próximo mês, será inaugurado, no loteamento Arquipélago, em Manguinhos, Serra, o protótipo de uma casa de 230 metros quadrados, projetada e construída nos conceitos da sustentabilidade. A casa, segundo o arquiteto Augusto Alvarenga, é construída em aço com painéis.

Os cuidados são tomados desde a concepção do projeto, que busca o aproveitamento dos recursos naturais como ventilação, iluminação e outros. No isolamento térmico que contribui para a redução do uso de ar-condicionado, são utilizadas garrafas pet recicladas.

São observados ainda os cuidados na redução do consumo de energia, de água com reaproveitamento das águas de chuva e águas químicas. No paisagismo, os jardins são projetados com plantas que necessitam de menos água.

A Ecasa, empresa que desenvolve o projeto da casa sustentável, tem projetos com cinco modelos básicos de residência. A pessoa que vai construir pode fazer adaptações dos modelos disponíveis conforme o terreno onde ela será construída, informa o arquiteto. 


As casas podem ser construídas em qualquer região do Estado. Por isto é importante plenejar e fazer as adaptações de acordo com a região e os recursos naturais disponíveis.

Serviço
Esmeralda Residence é um empreendimento da Mazzini e Delta.
Informações: os detalhes a respeito da sustentabilidade do projeto podem ser acompanhadas no endereço www.esmeraldaresidence.com.br

E casa
Mais detalhes: no endereço www.ecasabrasil.com

É um conceito relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas.



Fonte: gazetaonline.globo.com

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Destino adequado – pilhas e baterias



Pilhas e baterias são companheiras da tecnologia. Elas garantem o funcionamento de celulares, máquinas digitais, controles remotos, entre muitas outras maravilhas modernas. Sua vida útil, porém, é limitada. Como resultado, cerca de um bilhão de pilhas e baterias são descartadas, a cada ano, no Brasil.


De acordo com a resolução nº 257 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), publicada em 30 de junho de 1999, o descarte de alguns tipos de pilhas em lixos comuns é permitido devido aos baixos teores de mercúrio, cádmio e chumbo, metais presentes em sua composição. “O problema é a quantidade de unidades, que aumentou muito. 


A concentração torna esse material um sério agente poluidor, com capacidade de contaminar lençóis freáticos e, por conseqüência, intoxicar seres humanos”, alerta o professor Wilfrid Keller Schwabe, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).


Na UFMG, ele coordena uma linha de pesquisa que estuda o reaproveitamento de materiais com potencial tóxico. Sua equipe já trabalhou com a reciclagem de lâmpadas fluorescentes, tecnologia que foi transferida para uma empresa da capital mineira; com a lama de aciarias (indústrias que lidam com ferro e aço), material originado durante o tratamento da água que, até então, era jogado de volta nos rios, provocando a contaminação dos mesmos; e com a areia fina produzida na exploração do quartzo, rejeito que provoca assoreamento e poluição de cursos d’água.


Os metais presentes nas pilhas descartadas são separados e recuperados na forma de cristais, como na foto abaixo:


metais pilhas


Os cristais de zinco e manganês podem ser reaproveitados, por exemplo, para a produção.


Agora, eles investigam o reaproveitamento das pilhas , que podem ser de zinco-carbono, zinco-manganês ou alcalinas, e de baterias recarregáveis, que podem ser de níquel-cádmio, níquel metal-hidreto ou de íons lítio. No caso das baterias, os dois primeiros tipos correspondem à grande maioria do material descartado atualmente, pois estão sendo substituídos, aos poucos, pelas baterias de íons lítio, mais modernas e eficientes. 


O trabalho, já testado em escala de laboratório, apresentou resultados significativos, com recuperação de até 80% dos materiais. Pelo seu caráter inédito, a metodologia deve gerar uma patente na área.


No caso das baterias, o processo é praticamente o mesmo, com alteração de variáveis como temperatura e composição da solução lixiviante. O níquel recuperado pode ser usado para fabricação de uma nova bateria ou entrar na composição do aço inox, por exemplo, baixando custos para o empresário. Para se ter uma idéia, a tonelada do níquel é vendida, hoje, a 30 mil dólares, valor dez vezes superior ao do alumínio, metal amplamente reciclado no País.


Apesar de aparentemente simples, a metodologia é inédita. No Brasil, existe apenas uma empresa, sediada em São Paulo, que realiza a reciclagem de pilhas. No entanto, o método utilizado é a pirometalurgia (queima em fornos de alta temperatura). Os metais são transformados em gases e, depois, condensados. 


O problema, como aponta Mansur, é que a separação dos componentes é limitada e a recuperação dos materiais não é completa. “Com isso, metais de alto valor agregado acabam sendo utilizados na produção de pigmentos. O destino é melhor que o aterro sanitário, mas é possível aproveitar esses subprodutos de forma mais lucrativa.”


Novidade


Marcelo Mansur, também coordenador do projeto e professor do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da UFMG, explica que o objetivo da pesquisa é recuperar os metais que compõem as pilhas e baterias. O zinco e o manganês, por exemplo, podem ser utilizados para fabricação de fertilizantes, enquanto níquel e cobalto possuem elevado valor agregado. Nesse caso, além de dar uma destinação adequada ao produto, seria possível obter retorno financeiro.


O método consiste em desmantelar a carcaça metálica ou de plástico que envolve as pilhas e baterias e separar seus componentes. Assim, os compostos metálicos presentes no interior dos dispositivos são dissolvidos em uma solução ácida, processo denominado lixiviação. Os compostos são separados em função do tipo de bateria tratada, para que metais como níquel, cobalto, zinco e manganês, obtidos sob a forma de sais purificados, sejam reaproveitados.


No formato de pequenos cristais, os metais recuperados podem entrar na composição de fertilizantes e corretivos de solo. O potencial é grande: os pesquisadores calculam que, com o descarte inadequado de pilhas, sejam perdidas 34 mil toneladas de carcaças metálicas, 7,8 mil toneladas de zinco, 10 mil toneladas de manganês e duas mil toneladas de potássio para cada bilhão de pilhas. Outra vantagem da reciclagem é recuperar o mercúrio e descartá-lo adequadamente, já que não é possível aproveitá-lo.


Mercado


A solução encontrada pelos professores tem atraído a atenção de diversas entidades. O Centro Mineiro de Referência em Resíduos, do Governo de Minas Gerais, e o Centro de Triagem da Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reciclável (Asmare) já procuraram a equipe para conhecer a metodologia. Também o shopping popular Oiapoque, na capital mineira, já entrou em contato para checar a possibilidade de uma parceria no envio de pilhas usadas. A própria Escola de Engenharia da UFMG está tentando viabilizar a instalação de um coletor na entrada do edifício.


Segundo o professor Wilfrid Keller, a equipe aceita doações de bom grado, mas em pequenas quantidades. Pela própria limitação do espaço, não seria possível reciclar uma quantidade muito grande de pilhas e baterias. A intenção dos pesquisadores é testar, agora, a viabilidade da metodologia em escala industrial, já que em laboratório ela é comprovadamente eficaz. Se der certo, será estudada, então, a transferência da tecnologia para uma empresa interessada.


O grande atrativo, além do baixo custo do processo, seria o retorno financeiro, já que é possível cobrar para receber o material e, depois, vender os subprodutos gerados. “Mercado existe, pois, pelo menos a princípio, todos querem agir corretamente”, opina o pesquisador. Vale ressaltar o benefício para a imagem: cada vez mais, os consumidores pressionam (e cobram) por soluções ambientalmente corretas, o que transforma essa postura em um fator determinante para o sucesso do negócio.


Até hoje, a linha de pesquisa já originou trabalhos de iniciação científica e dissertações de mestrado, além de publicações nacionais e internacionais. No entanto, ainda há muito trabalho a ser feito, especialmente se considerarmos que o número de celulares vendidos cresce a uma média de 30% ao ano e cada indivíduo consome, no Brasil, de cinco a seis pilhas no mesmo período.


Energia pirata




Segundo a resolução 257/99 do Conama, desde janeiro de 2000, pilhas e baterias fabricadas, importadas e comercializadas no Brasil devem ter até 0,025% em peso de mercúrio, até 0,025% em peso de cádmio e até 0,4% em peso de chumbo quando forem do tipo zinco-manganês e alcalina-manganês, comumente usadas em rádios, brinquedos, câmeras, calculadoras e telefones. A mesma resolução determina que, desde janeiro de 2001, os padrões devem ser ainda menores: respectivamente 0,01%, 0,015% e 0,02%.


Um grande problema, porém, são as pilhas irregulares, vendidas clandestinamente no País. De acordo com estimativa da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), cerca de 40% das pilhas vendidas no Brasil são ilegais. Nelas, os teores dos metais são até sete vezes superiores ao permitido pelo Conama. Além disso, as pilhas piratas trazem quantidade inadequada de mercúrio em sua composição, material adicionado para aumentar a durabilidade.


Visualmente, é difícil distinguir uma da outra. Mas, descartada em lixões, o mercúrio em seu interior pode vazar e ser absorvido pela terra, chegando aos lençóis freáticos. Diarréia, insuficiência renal, irritações cutâneas e perda de reflexos são apenas algumas das conseqüências da absorção em excesso deste metal pelo organismo humano.


Por tudo isso, na opinião do professor Marcelo Mansur, a legislação é insuficiente para tratar o assunto. Produtos rotulados de forma indevida e o grande crescimento de unidades descartadas são alguns dos problemas que motivaram um processo de revisão do decreto. Na opinião do pesquisador, a evolução necessária seria criar regras mais rígidas para o descarte. “É preciso insistir na separação do lixo para tratá-lo. Isso só será resolvido quando as pessoas criarem o hábito de juntar e direcionar os produtos a locais de tratamento especializados”, conclui.


Fonte: Revista Minas Faz Ciências